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 Saint Anger

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Vicent
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Registrado em : 20/04/2010

MensagemAssunto: Saint Anger   Qui Jun 10, 2010 7:33 pm

Olá vocês XD

Estreiando a sessão de fics não relacionadas a RE, estou postando uma fic que venho trabalhando a algum tempo (desde o ano passado para ser mais específico), e foi postada em outros sites a algum tempo, trata-se de uma fic original, espero que vocês gostem e qualquer sugestão é bem vinda

Prólogo: Turn me On Mr. Deadman

A lua brilhava triunfante sob as finas camadas de nuvens que cobriam o céu, era uma madrugada esplêndida para se caminhar ao som das folhas mortas de outono sendo levadas pela brisa suave da noite... Uma pena eu não poder aproveitar este momento agora.

Meus calcanhares já doíam pela caminhada que tive que fazer do estacionamento até onde estava acontecendo a festa, depois de 3 quarteirões alcancei meu destino, era uma pequena edificação quase que propositalmente oculta, passaria despercebida se não fosse a fila que se estendia ao longo do quarteirão, passei reto por ela e me dirigi direto para a entrada onde encontrei um guarda de pele morena vestindo a clássica roupa de segurança de boate, calça jeans azul claro com uma camiseta preta e um tênis de uma cor não muito chamativa, seu arquétipo era de um típico homem robusto e forte mas sem um mínimo de inteligência.

Ao me avistar fui recebido com um olhar hostil, mas ao tirar meu passe VIP de dentro do paletó seus olhos se arregalaram e imediatamente deu passagem para que eu entrasse na boate deixando os protestos de quem estava na fila para trás. Atravessei um corredor iluminado por uma fraca luz vermelha e seu piso coberto por um carpete, minha alergia berrava então fui breve, passei por uma cortina lilás que transparecia algumas luzes que piscavam cintilantes do outro lado, enfim, estava onde eu queria, faltava agora encontrar quem eu quero, onde ele estaria? O salão era dividido em um centro que havia um aglomerado de pessoas dançando no rítimo da música que era marcada pelo som de sintetizadores (vai entender a graça disso) e, em sua volta tinha várias mesinhas que provavelmente era utilizada mais pelos casais que desejavam mais privacidade...Talvez ele esteja lá, fui rondando o lugar e alguns olhares me estranharam, o que foi? Nunca viram um vovô ir dançar?

Até que finalmente o encontrei, sua tatuagem de aranha no cotovelo direito e a cicatriz no olho do mesmo lado são inconfundíveis, ele estava de jaqueta preta curta com pregos e uma calça de couro (alguém aí falou Judas Priest?). Ele estava acompanhado de duas mulheres que riam feito hienas, já devem estar drogadas ou muito bêbadas, ele pediu licença para as duas e foi para o bar próximo de nós dois, não podia perder essa chance de pegá-lo sozinho. Ele recostou-se na bancada do bar e pediu três doses de uísque.

-Eeeeeeei meu amigo! “Como estás”? – Nada como uma imitação de bêbado de tequila tentando falar espanhol.

O sujeito era esguio em seu olhar e tentava abstrair-se de minha presença, mas já era possível ver uma certa frustração em sua face.

-Ei! Traga-me uma tequila e um uísque por favor – O barman ouve o pedido e o atende em seguida. Retiro com cautela um pequeno frasco com um veneno que preparei num motel na beira da estrada (sabonete líquido e shampoo podem ser armas eficazes se usadas com sapiência) e coloquei no meu próprio uísque e dei um pequeno gole, apenas o suficiente para cuspir no sujeito do meu lado, que não ficou muito satisfeito com isso, mas enquanto ele olhava sua roupa molhada eu troquei sua bebida com meu uísque “vitaminado”. Por pouco antes de ele virar-se e me dar um soco ele não viu a troca, tomou um gole apenas e foi para o banheiro se lavar, tudo bem, um gole é o suficiente.

Longe da agitação eu segui o homem para garantir a sua neutralização, ele já estava sentindo os efeitos do veneno e cambaleava, de sua boca pingava vômito que ia deixando um rastro por onde ia, obviamente ninguém diria que ele estava envenenado, parecia apenas um bêbado que passou da conta.

Quando ele finalmente chegou no banheiro foi logo na privada vomitar, pela rapidez que ele foi no banheiro talvez ele se livre de tudo...Não podia deixar isso acontecer.Entrei no banheiro e fechei a porta para impedir visitas indesejáveis e abri a cabine em que ele expulsava o eu almoço do estômago, peguei o pouco de cabelo que tinha na cabeça dele e puxei para depois empurrar com força na direção do vaso, é claro que ele oferecia toda resistência que seu corpo podia dar, mas sem alguma objetivação no que fazer para se salvar ele só estava se esperneando de agonia desperdiçando o resto de seu oxigênio, ele devia estar abrindo a boca para tentar se livrar de mim, o que acelerava ainda mais o processo de asfixia até o momento que suas células não recebiam oxigênio e seu cérebro não enviava mais informações, apenas espasmos dos membros extremos até a falência total do organismo

Ao largar o couro cabeludo verifiquei o pulso, estava morto, e vi que estava todo sujo de vômito e o chão encharcado...Sem muitos problemas, se houvesse sangue teria sido pior, peguei meu celular e disquei o número dela.

-Alô? Sra Rose? A minha parte do trato foi cumprida, agora falta a sua...Entendido, até breve.

Guardei o celular e escondi o corpo dentro da cabine e quebrei a tranca.

Saindo da boate vi meu Dodge Challenger estacionado me esperando...E vi Saint encostado no capô me aguardando, os jovens irresponsáveis de hoje em dia, não sabem mais cumprir ordens...

-Deadman, da próxima vez eu faço a parte suja ok?

-Já que você está tão animadinha, você dirige.

Entramos no carro e desaparecemos na calada da noite, como se nada houvesse acontecido.


===============================================================================================


Cap 1. The Roses Are Dead

“The higher you are
The farther you fall
The longer the walk
The farther you crawl”


Escrevi com letras desajeitadas esses versos que talvez sejam a única coisa que meu pai deixou de positivo em minha vida. O tinteiro é pesado e tem algumas marcas de ferrugem na ponta mas ainda funciona perfeitamente, era o tinteiro favorito dele...Isso não importa mais, ao menos para mim.

O ranger da porta abrindo quebrou o silêncio da biblioteca e uma figura jovial com silhueta delgada, com um cabelo loiro preso em um coque formal caminhava num ritmo acelerado. Era a minha irmã Jessica que vestida com uma camisa social de manga curta e uma calça jeans que chegava no calcanhar da sua sapatilha bege ,deixava transparecer uma tentativa em vão de parecer uma mulher mais velha, mas ela sempre irá parecer uma garota de 19 anos.

-Fui pegar os medicamentos da Weather no posto do hospital e acabei passando no necrotério.

-Foi reservar um lugar para a Weather? – Eu sei que era cruel falar assim da minha própria irmã, mas a reação enfurecida e quase automática da Jéssica me divertia muito.

-Como pode falar isso dela?! – Sua voz esganiçava quando ela tentava falar mais alto, essa era a graça da coisa.

-Calma Jess, não se irrite tanto foi só uma brincadeira, mas afinal o que você foi fazer lá? Buscar as coisas do papai?

-Sim, eu fui e não tinha muita coisa...Apenas a carteira, a chave da Mercedes e umas outras coisas. – Disse olhando para o interior da mochila que carregava.

-Pegue a chave da Mercedes – Estava procurando por toda a parte - e o dinheiro na carteira, o resto pode jogar fora.

-Mas...essas são as coisas do papai...Não quer se lembrar dele? – Dizia perplexa com os braços estendidos, como se quisesse que eu pegasse o que tinha dentro dela.

-Não quero ter lembrança alguma do maldito, essa casa, a Mercedes, a roupa que usamos! Vem tudo daquilo que nosso pai fazia debaixo de nossos narizes: lavagem de dinheiro à tráfico de drogas...E você acha que eu devo me lembrar dele?

-Ele ainda era nosso pai! Mesmo quando nossa mã...

-Cale a boca, vá olhar a sua irmã, ela deve estar se sentindo sozinha sem você por lá...

Ela cerrou os olhos com um ar de reprovação e foi embora da biblioteca, logo quando a porta fecha o interfone começa a tocar, era o guarda do portão principal anunciando que tinha dois homens de terno querendo falar comigo, eu autorizei a entrada deles.

Passados alguns minutos eles entram na biblioteca, os dois eram corpulentos e tinham uma expressão dura em suas faces.

-Senhora Rose? Nos desculpe por vir em um momento como este em que você e sua família passam mas...Nós viemos em nome do senhor Petrovic discutir sobre como os seus...Negócios de família serão administrados de agora em diante.

-Como assim “administrados”? Vocês pretendem pegar para si os negócios do meu pai?

-Mas é claro que não! – Retruca um que estava segurando uma maleta – Vocês serão devidamente indenizados para que possam continuar levando a vida que tem normalmente – Nisso ele pega sua maleta e a abre, mostrando um montante de notas de 100 dólares.

-Eu e minha família não precisamos disso, estamos bem e eu decidirei o que fazer com os negócios inacabados de meu pai.

-Senhora Rose eu insisto que você aceite, como você, uma senhora de classe poderia controlar um cartel de drogas?

-Não me chame de senhora, tenho 24 anos e convivi todos eles ao lado do meu pai, tenho certeza que me virarei bem, agora se vocês pudessem se retirar...

-Senhora Rose – O sujeito estava ficando vermelho – Nós não viemos requisitar, viemos buscar. – Parece que a parte do diálogo acabou, os dois sacaram Glocks de seus casacos e a apontaram para mim.

- Ahn...Ainda posso aceitar o dinheiro e vocês vão embora?

-Nós íamos matar você de qualquer jeito, a maleta tem uma bolsa com um gás venenoso, você ia morrer tendo um lindo sonho! Mas como você é uma vadia teimosa somos obrigados resolver desse jeito.

-Agora pára de enrolar e dá logo a merda do... – A exigência furiosa do homem foi interrompida pela estocada intrépida de uma flecha em seu abdômen, a ponta reluzente brilhava mesmo coberta pelo líquido vital rubro que começava a escorrer pelo seu corpo em falência.

O momento de perplexidade do outro homem foi minha deixa para enfiar o tinteiro em seu pescoço para que ele tivesse o mesmo destino do outro, o movimento foi rápido o bastante para que ele sequer pudesse reagir e como tinha uma ponta afiada, não foi difícil o tinteiro alcançar uma profundidade letal no seu pescoço...

- Nunca aponte uma arma para mim...Nunca – Finquei ainda mais o tinteiro e à essa altura ele não conseguia se manter de pé e seu corpo cedeu.

Minha mão ficou encharcada de sangue, mas nada que um pouco de água corrente não resolva. E então eu fixo meus olhos na figura que disparou a flecha, seus cabelos lisos e negros que pouco cobriam a orelha brilhavam com a pouca iluminação do ambiente...Não tinha uma entrada mais adequada para minha irmã Eileen.

- Toda essa entrada triunfal seria melhor se você sorrisse sabia?

Mesmo tendo laços de sangue com Eileen, nossas diferenças físicas e comportamentais eram gritantes a ponto de sermos vistas apenas como amigas e não irmãs, sua atitude calma e serena mas ainda fria e inexpressiva em nada se assemelhava a euforia e exatidão de um verdadeiro Rose.

-Eles são capangas do Petrovic...E não pareciam estar hesitantes em me apagar, se você não tivesse vindo eu estaria...Você já foi embora. – Completei com esta última frase ouvindo o barulho da porta fechando.

Sentei novamente na cadeira do meu pai para tranqüilizar-me um pouco e após algumas expirações liguei o interfone e chamei o guarda do portão principal.

-Joshua pode fazer o favor de recolher uns corpos aqui na biblioteca? Eles estão sujando o carpete.

-O Joshua morreu Sra Rose, acho que foram aqueles homens que acabaram de entrar que o mataram.

-Ele morreu?...hm...Então aproveite e recolha o corpo dele também. Estou contando com o senhor.

-Mas eu...– desliguei o interfone na cara dele.

Ainda estava sentada quando ouvi o inconfundível grito da Jessica (eu sabia que era dela por ouvi-lo bastante quando criança, ao ficar jogando água nela ou enterrando-a viva...Coisas da infância), mais alguém deve ter entrado, e quando eu encontrá-lo esse indivíduo irá sofrer se fizer algo a minha irmã, uma pontada de aflição me invadiu o peito quando ouço tiros abafados (talvez silenciadores) vindo do corredor onde fica o quarto de Jessica e Weather, cheguei na porta junto com Eileen já com o arco e flecha preparado para enfrentar quem estiver lá dentro (merda, deveria ter pego uma das armas dos capangas do Sabbath, mas era tarde demais para pensar nisso).Quando eu abri uma mistura de alívio e estranheza, dois sujeitos de sobretudo, um bege e outro preto me fitaram com a mesma surpresa.Mas o homem de sobretudo bege levantou-se sem cerimônias e levantou os braços como uma saudação.

-Ahh Danielle Rose! Estou muito contente em vê-la – Seu tom era estranhamente cordial. – Como você cresceu! Está tão bonita quanto sua mãe! – Minha...Como ele pode saber meu nome? Eu nunca vi esse homem na minha vida!

-Você...Conhece minha mãe? – Estava tão perplexa assim como Eileen que não mais se portava ofensivamente e Jessica e Weather que estavam abraçadas na cama observando a conversa mudas. O homem de sobretudo preto sequer prestava atenção, limpava tranquilamente sue pistola.

-Sim, conheci ela e seu pai, uma morte trágica a dele, se me permite dizer...

-Não, eu não permito e diga logo quem é você antes que se junte ao meu pai e esses merdinhas jogados no chão.

-Claro claro, meu nome é Deadman, e este é meu sócio Saint Anger.Viemos lhe fazer uma proposta.

-Se você pretende tomar os negócios do meu pai esqueça, eu irei cuidar deles sozinha muito bem.

-Eu compreendo, mas queremos dar-lhe a oportunidade de...”Monopolizar o mercado”....Se é que você me entende.

-Você quer dizer tornando-se a única mafiosa soberana na cidade inteira?

-Isso mesmo! Você é muito esperta Danielle.

-Mas para isso eu teria que tirar da jogada o Sabbath e o Gângster...

-E você acaba de tocar exatamente onde eu queria, sabe, eu e Saint aqui somos facilitadores de fatalidades, e estamos a muito tempo esperando por uma oportunidade para apagar um peixe grande do submundo. – Isso é algum tipo de piada?

- Então deixa eu ver se entendi, vocês são assassinos que pretendem derrubar os dois maiores mafiosos da cidade que são mais protegidos que o prefeito?

- Sim, mas é claro que não poderíamos simplesmente acabar com tudo e deixar como está, assim como uma revolução contra um sistema opressor, devemos colocar um substituto para ele, é aí que você entra Sra Rose.

- Eu irei assumir o comando da cidade?

-Sim.

-A cidade inteira?

-Até o último tijolo. Acha que está pronta? – Essa pergunta me gelou a espinha, como poderia saber que estava pronta? Era uma máfia, não um simples negócio, deveria estar sempre atenta para o que ocorre ao meu redor e sempre evitar pessoas não confiáveis perto de mim... Por falar nisso, como saber se esses dois são de confiança? Sabbath e Gânsgter só dormirão tranqüilos quando minha família inteira estiver morta, foi aí que senti que deveria fazer algo a respeito pois não vou me render tão facilmente, se esses dois velhos caquéticos pensam que irão derrubar a família Rose facilmente estão redondamente enganados.

-Sim, eu estou...Mas antes, quero que me façam um favor...
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Segundo cap já vem amanhã, ou até hoje quem sabe rs
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Davi Redfield
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MensagemAssunto: Re: Saint Anger   Sex Jun 11, 2010 12:35 am

Simplesmente perfeito, Vicent.

Relendo agora, esse negócio de "dois mafiosos" me lembrou vagamente o filme Xeque-mate, não sei se chegou a vê-lo...?

Aguardo ansiosamente a continuação. Very Happy

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Vicent
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MensagemAssunto: Re: Saint Anger   Ter Jul 13, 2010 7:10 pm

Davi Redfield escreveu:
Simplesmente perfeito, Vicent.

Relendo agora, esse negócio de "dois mafiosos" me lembrou vagamente o filme Xeque-mate, não sei se chegou a vê-lo...?

Aguardo ansiosamente a continuação. Very Happy

Sim Davi XD, foi uma das principais inspirações da fic, aliás foi o que me incitou a fazê-la, claro que houve toda a formulação de um enredo por trás da fic para que ela se distanciasse o máximo possível do filme, mas ainda assim você verá algumas semelhanças rs

Aí vai o segundo cap, sorry pela demora:

Cap 2. Jump In The Fire

Fogo, fogo em toda parte, me cercava feito uma serpente rondando sua presa.

A fumaça preencheu todo o espaço daquela sala vazia, não havia escapatória e tampouco tempo já que meus pulmões começaram a implorar por um ar puro que não existia, meus braços faziam movimentos sem uma lógica ordenada, apenas se esperneavam de um lado para outro tentando por algum oxigênio traquéia abaixo.

Após alguns segundo de agonia veio a aceitação do iminente fim, não havia porque resistir manter-se em pé, aliás não havia como! Meu corpo não mais me obedecia, acabando por padecer e cair duro no chão, ao sentir minhas roupas suadas grudando na minha pele senti um nojo de mim mesmo e tive vontade de gritar, não era possível, não tinha ar para tentar sobreviver e minha garganta sangrava de tão seca.

As chamas usavam o carpete vermelho da sala sem portas para trilhar seu caminho em minha direção... Cada vez mais perto...

Como naquela noite...


Meus olhos abriram muito rápido e demorei alguns instantes para me acostumar com a claridade do ambiente e a mudança de cenário, saia a sala vazia e sem portas de carpete vermelho e entrava um quarto branco com mobílias discretas, um guarda roupa cor creme e um hack de mesma cor com um computador colocado em cima dele, meus pés quase encostavam numa cadeira giratória cor grafite que estava perto da cama em que me deitava.
Não me lembro de como ou porque vim para cá,mas ao virar meus olhos para o lado oposto da cama descobri o motivo: Uma mulher dormia serena, suas costas nuas mostravam as marcas de biquíni em sua pele morena...Deve ter sido uma noite revigorante para nós dois! Não resisti à tentação e comecei a escrever palavras invisíveis em sua pele.

-M-O-R-T-E...S-A-N-G-U-E...O-S-S-O-S...-Ditava para mim mesmo as letras a serem escritas.

Minha diversão acabou quando meu celular começou a tocar, era um dos mais modernos que tinha mas não deixava de ser robusto e pesado, dando a impressão de guardar um pequeno tijolo no bolso.

-Alô?

-Alô? Saint? Aqui é a Jéssica Rose, como vai?

-Contente com um episódio sexual bem sucedido e você?

-Ahn...Eu vou bem! Olha, a Dani pediu pra que você viesse aqui pra mansão imediatamente, seu amigo Deadman está aqui.

-Ahhh, tenho mesmo que ir? – Nem um tempinho para a transa matinal?

-Ela disse que é importante...

-Ok ok, já estou a caminho...Chego em meia hora.

-Ok Saint! Até logo.

E assim desligo meu celular,levanto da cama e procuro por minhas roupas, elas estavam jogadas pelo meio do corredor do apartamento junto com as roupas dela (juro que ainda não lembro o nome dela), primeiro vesti minha roupa íntima e meias, depois a calça jeans e minha camiseta regata branca e por fim minha camisa preta de manga curta.

Fiz uma sucinta análise no local, ela gostava de cores claras pelo visto, pois todo o resto do apartamento seguia o mesmo estilo do quarto, visual “clean” com móveis pouco chamativos e de cores neutras. Uma pequena TV em cima de uma estante em frente de um sofá de dois assentos e uma poltrona com encosto para os pés era o que formava a sala. E ao lado havia uma mesa circular de madeira clara com 4 cadeiras e alguns cadernos em cima dele, acho que ela é universitária ou algo do tipo...Não é importante pra mim no momento.

Não me lembro de trazer o Dodge comigo, provavelmente vim pra cá de táxi...Verifiquei minha carteira que estava no meu bolso e ainda tinha 123 dólares e algumas moedas, voltaria da mesma forma que fui, saí do apartamento sem despedida pois sabia que dificilmente a veria de novo, então porque prolongar as coisas?

Saí do prédio e já senti o frio que fazia nessa manhã nebulosa em Saint Anger, para minha sorte havia um ponto de táxi ao lado do prédio da garota e peguei um em direção à mansão Rose.

-Considere essa pergunta estranha, mas onde estamos?

-Em que bairro você quer dizer? – Perguntou estranhado o taxista de possível origem árabe pelo seu sotaque e aparência.

-Isso- Assenti com a cabeça

-Estamos em Maiden senhor. – Maiden? A última coisa que eu me lembro era estar no distrito central da cidade, fui parar no distrito leste?

-Maiden?...Ahn, pode me levar para Grey Forest?

-Claro senhor- assentiu o motorista bocejando em seguida.

A mansão Rose se localiza no extremo do distrito norte de Saint Anger ( A cidade é dividida em 5 distritos: Norte, Sul, Leste, Oeste e Central).Sem delongas o taxista desceu a avenida principal de Maiden e rumou em direção a ponte que leva a rodovia de ligação entre os distritos norte e leste. Durante todo o trajeto fiquei com a cabeça recostada na janela para tentar descansar um pouco os olhos mas temia ter outro sonho como aquele que me acordou, minha sorte foi poder prender minha atenção na estátua de Saint Anger colocada imponente no meio de uma praça qualquer, se mostrava desgastada com o tempo, mas ainda tinha a grandiosidade de quem representava.

“Saint Anger ficou conhecido por libertar inúmeros judeus de uma região comandada por dois sanguinários reis, ele sozinho se infiltrou na nobiliarquia de ambos os reis até ganhar intimidade suficiente de ambos, feito isso ele matou os dois e fugiu da cidade levando consigo o povo antes oprimido, mas que agora tinha o direito de seguir sua própria vida.

Isso é repetido inúmeras vezes em qualquer sala de aula do ensino fundamental da cidade até decorarmos de cor e salteado a história do tal santo. Antes que eu começasse a relembrar de quando tinha de andar com uma navalha para proteger meu dinheiro da merenda no fundamental alcancei meu destino.

-São... 75 dólares- Que facada, dei uma nota de cem e após receber o troco saí do carro.

A Mansão Rose já teve dias melhores, mesmo com sua estrutura bem desenhada no estilo vitoriano faltava apreço para mantê-la em boas condições, a vegetação que não crescia formando uma selva no jardim escalava os pilares de madeira que sustentavam o teto da varanda, a tinta descascava da parede, fazendo uma cor pastel desbotada. Entrando na porta de madeira podre avistei Jéssica sentada em um banquinho com um telefone na mão.

-Ah! Saint! Estava te ligando agora mesmo, venha! Danielle e Deadman estão te esperando.

Cumprimentou-me agitada enquanto me puxava pelo braço até uma porta do lado direito da escada principal do salão, uma pequena salinha com algumas esculturas e pinturas, talvez a coleção de arte do velho Jack, mais outra porta ao lado esquerdo e descemos uma escada que levava à um breu escuro até que Jéssica acendeu uma pequena lâmpada, comecei a ouvir berros de dor, eram incômodos pois eram altos a ponto de você sentir um pouco dessa dor.

-Que gritos são esses?

-Danielle está recebendo visitas! – Disse Jéssica com um sorriso doce e inocente.

Ao chegarmos ao porão encontramos Deadman e Danielle sentados em cadeira assistindo o sofrimento de um homem tendo seu rosto...Derretido? Jéssica não desceu junto comigo, preferiu voltar enquanto não se traumatizou com alguma imagem chocante.

-Vejo que começaram a festa sem mim.

-Isso é o que dá tomar todas e sair pra transar com universitárias- Disse Deadman, então ela era universitária mesmo!

-Você me conhece... -Dei um sorriso malicioso para Deadman.

-Tsc...Homens.-Disse Danielle sem virar os olhos do homem em seu sofrimento.

-É bom te ver também Danielle, mas me digam, quem é nosso convidado de honra?

-Um infiltrado do Sabbath e do Gângster, ele quem disse quando e como o meu pai podia ser assassinado.

-Entendo, falta arrancar mais o que dele?

-Hm? Nada, eu e Deadman fizemos uma aposta para ver quando ele vai morrer, eu apostei que morre em menos de meia hora, ele apostou em um tempo superior a isso...Se você tivesse chegado mais cedo poderia estar dentro da aposta também.

-Ah eu não me arrependo de ter demorado.-Olhei para o homem que ainda se esperneava no chão como um inseto envenenado- Ácido clorídrico?

-Uhum, Megan cursa química no colégio técnico dela, então ela tem acesso a materiais corrosivos – Megan é a irmã caçula dos Roses ainda tem 17 anos mas é extremamente inteligente, sua mãe morreu no parto e até hoje Danielle a culpa por isso.-Ela tem alguma utilidade no final das contas...

-Vocês querem limonada e biscoitos?- Perguntou carinhosa Jéssica com uma bandeja com um prato de biscoitos, 3 copos e uma jarra de limonada gelada.

-Ora Jéssica não seja idiota, não é hora pra...Os biscoitos são de chocolate?-Perguntou Dani

-Uhum

-Bem...Deixe em cima da mesa ali no canto, pegaremos quando acabarmos por aqui.

-Ok!- Acenou positivamente com a cabeça e deixou as coisas numa mesa no canto da sala.

-Tem algum jeito dele sair daí?- Perguntei,o lugar onde o homem estava aprisionado era isolado com vidro, no caso de vazar algum gás tóxico.

-Ei! Mike! Dê a volta e procure por uma garrafa beeeem grande, a chave está dentro dela, mas você deve tirar o líquido de dentro dela- Mike devia sentir tanta dor e desespero que ele não parou para raciocinar o porquê que a Dani diria onde estava a chave para sair dali.

-A chave não está lá certo?

-Está no meu bolso.- Danielle deu um sorriso sádico ao dizer isso.

Mike não perdeu tempo, pegou a maior garrafa que tinha e retirou sua tampa, ele não deve ter visto a plaquinha de “Corrosivo” na garrafa, mas era tarde demais, na primeira gota que caiu sobre seu rosto fez ele berra de dor, ele soltou a garrafa, mas seu conteúdo acabou por banhar seu corpo inteiro, fazendo sua pele corroer muito rápido, o ácido dissolveu primeiro a pele, chegando nos músculos (nessa parte o sangue se junta à mistura) até chegar aos ossos em inúmeras parte do seu corpo (45% do seu rosto ficaram com o crânio exposto).


A esse ponto ele tinha morrido, de uma forma bem dolorosa...

-Ok, deixe-me ver...HÁ, ganhei! – Disse Danielle olhando para seu relógio digital que estava na função de cronômetro.

-Isso foi trapaça sabia? – Disse Deadman com a cara emburrada tirando uma nota de 50 do bolso.

-Passa o dinheiro sem reclamar.-Disse recebendo o dinheiro

-Ok crianças, o recreio acabou, vamos ao que interessa.-Deadman se levanta da cadeira e se espreguiça um pouco. – Não se esqueça dos biscoitos.

Fomos até a biblioteca onde tinha uma mesa circular com 10 cadeiras, lá nós ocupamos um espaço específico e Danielle antes disso pegou um envelope pardo e pôs-se a sentar.

-Ok, eu já suspeitava disso mas graças ao nosso amigo Mike tivemos a confirmação: Sabbath e o Gângster contrataram o assassino que matou Jack Rose, na qual Deadman fez o favor de matar. Aparentemente eles não gostaram de ver meu pai patrocinando as gangues neonazistas que começaram a causar sérios estragos em ambas as organizações, quando souberam que o meu pai estava por trás disso trataram de eliminá-lo. Mike também havia comentado dele carregar algo de extremo valor para os três, mas não pôde dizer o que era...Além do mais nada fora do normal foi encontrado no corpo após a morte.

-Talvez fosse algo de valor sentimental, não sei...Afinal o que ele poderia ter que os dois já não tivessem? – Indaguei

-Pode até ser mas...Isso também não convém discutir, devemos mesmo é resolver o que fazer para acabar com os dois.

-Será difícil matar eles com toda aquela segurança... Sem contar que eles não saem muito de suas casas, e quando saem, vão acompanhados de um enorme comboio de carros blindados. – Comentou Deadman.

-Fato! É descartado um confronto direto. – Disse Danielle. – Por mais que vocês sejam bons no que fazem.

-O que temos então? – Perguntei

-Ora, não é óbvio? – Gesticulou Danielle- Precisamos de um infiltrado lá dentro.

-Isso não é um filme de espionagem Danielle, talvez se acharmos um ponto certo para atirar com um rifle e...

-Espere Saint, Danielle tem razão, pois não se trata de apenas matar os dois, devemos destruir as máfias pois mesmo após a morte de seu líder alguém pode assumir seu lugar, devemos aniquilar essas organizações como um todo...

-Melhor ainda...Eles deviam se aniquilar- Disse Danielle pensativa e sorrindo com suas próprias idéias

-Essa garota é astuta feito o pai. – Deadman gesticulou. Eu e Deadman compreendemos o que ela quis dizer, criar um álibi para que eles começassem uma guerra entre si, assim como fizeram com Jack.

- O que podemos fazer?

-Fácil, matamos alguém próximo deles.

-Mas de quem?...

-A esposa do Sabbath é a menos protegida de todas, não gosta de seguranças ao redor dela, conta apenas com um segurança, primo do Gângster, que deve meter com ela num hotel toda noite, mas isso não importa. – Disse Danielle vendo algumas fotos e arquivos do envelope pardo.

-Hmm...Que tal matar o segurança, se passar por um dos guardas do Sabbath e matar ela?

-Hm, pode até ser, mas fique claro que quem irá executar toda a operação será você

-Porque? – Um pouco de excitação e medo me invadiram, era pra valer, não era mais um treinamento.

-Você é a única cara desconhecida, todos das máfias me conhecem, o mesmo para os Rose.-Ele tinha razão, iria começar a vida de assassino com o pé direito! – Mas precisamos de um motivo do porque o Gângster iria querer ela morta.

-Não precisa ser o Gângster, o próprio segurança que é primo dele, podia ter feito isso, muito provavelmente ela tem outros amantes...

-É verdade Saint...Hm, ele mata a mulher após saber que é traído por outros e depois de mata.

-Sim, mas neste caso teríamos de matar ela primeiro! E ela não costuma desgrudar dele em muitos momentos.

-Nestes momentos são quando ela ou está com o marido ou com...É isso! – Levantou da cadeira Danielle.

- O que é?

-Você se passa por amante dela, deixe uma pista para que o segurança suspeite de uma traição e a mate, mas para isso precisa ser uma evidência forte.

-Eu precisaria de algo que comprovasse que ela fez, ou quer fazer – Torço pela primeira opção- Sexo comigo....Hm, eu posso fazer isso.

-Após isso nós matamos ele e forjamos a cena do crime, quando a notícia se espalhar, Sabbath irá ficar puto e vai querer acabar com a raça do Gângster.

-É um plano...Precisamos do itinerário que a esposa dele segue, o esquema de segurança e tudo mais. – Encerrou a reunião Deadman.

-Eu posso falar com uns informantes do meu pai, eles devem ter alguma coisa útil para nós.

-Ótimo, Saint, vá com a Danielle falar com um dos informantes, eu preciso fazer algumas ligações...

-Entendido – Não importava mais se nosso plano tinha alguma falha, ele seria executado custe o que custar, estávamos fazendo tudo aquilo para chegarmos no topo da cadeia alimentar do submundo de Saint Anger.

E quando chegarmos.

Chegaremos pra fazer um belo estrago.
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